A Bilha Partida – (Audio-teatro)


A Bilha Partida – (Audio-teatro)

Texto do alemão Heinrich Von Kleist

A acção da peça se passa na aldeia holandesa de Huisum e inicia com os moradores à espera do desembargador Walter. Quando ele chega, conduz o julgamento sobre a quebra da bilha de estimação que pertence a uma moradora do local. Durante o processo, Adão, o juiz da localidade, usa de várias estratégias para conquistar o amor da filha da dona do objeto. No desfecho da peça, quando se descobre quem foi o provocador do incidente, o juiz é desmascarado.

A criação do texto nasce de uma espécie de concurso artístico estabelecido entre Zschokkle, Kleist e o jovem Wieland, com base em uma gravura que Debucourt possui, na qual são representados um par de jovens apaixonados e tristes, uma mãe barulhenta trazendo uma bilha partida e um juiz de nariz grande. Isso serve de ponto de partida para Heinrich Von Kleist escrever, entre 1802 e 1806, a comédia que permanece como curiosa excepção em sua intensa obra dramática. A Bilha Quebrada foi encenada pela primeira vez por Goethe, resultando um fracasso memorável.

Após a curta temporada no Theatro São Pedro em Dezembro de 1961, o espectáculo participa, em 1962, em Porto Alegre, do 4º Festival Nacional de Teatro de Estudantes, organizado por Paschoal Carlos Magno, sendo escolhido como um dos cinco melhores daquela edição. Yetta Moreira e Lilian Lemmertz integram o grupo das dez melhores actrizes da competição. Cláudio Heemann, intérprete de Adão, recebe a medalha de ouro como melhor actor brasileiro.

Em Março de 1962, o espectáculo cumpre nova temporada no Theatro São Pedro. Desta vez a produção recebe a assinatura do grupo Os Comediantes da Cidade. Fernando Peixoto escreve sobre a encenação e destaca a interpretação de Heermann: “A Bilha partida” voltou ao cartaz com o mesmo elenco e mantendo um mesmo nível geral de espectáculo, mas modificada, pela direcção, em alguns pontos. Linneu não se limitou a reensaiar e reapresentar o trabalho feito. Alterou o que lhe pareceu mais fraco na primeira versão. O início, por exemplo, ganhou, pela nova marcação, em rendimento cénico; antes era forçado e às vezes falso. De resto, o espectáculo não evidenciou o que se poderia esperar, maior amadurecimento nas interpretações. Ainda é dominado pela correcção de Linneu Dias e, principalmente, pela presença viva de Cláudio Heemann, explorando seus recursos próprios de comicidade, que chegam a parecer inesgotáveis, com uns olhos que não param nunca, maliciando as frases mais inesperadas, claro sentido de efeito cómico, utilizando seu físico na composição de um personagem bastante pessoal.

 O Autor:

Heinrich von Kleist

Heinrich von Kleist, reprodução de uma ilustração de Peter Friedel, 1801

Bernd Heinrich Wilhelm von Kleist (Frankfurt an der Oder, 18 de Outubro de 1777 – Berlim-Wannsee, 21 de Novembro de 1811) foi um poeta, romancista, dramaturgo e contista alemão. É conhecido por sua comédia O Jarro partido, pela tragédia Pentesiléia bem como por seu conto Michael Kohlhaas.

Heinrich von Kleist nasceu na família von Kleist em Frankfurt an der Oder, na Prússia. Após a morte de seu pai, em 1788, o jovem foi educado por um professor de uma escola secundária francesa chamado Samuel Heinrich Catel. Por meio desta educação é que ele provavelmente se interessou pelas obras dos poetas clássicos e dos filósofos do esclarecimento, com as quais ele ainda iria se ocupar durante seu período no exército.

Em Junho de 1792, seguindo a tradição familiar, Kleist ingressa no exército prussiano, actuando na campanha do Reno de 1796 contra o exército do então governo revolucionário da França. Apesar de receber em 1797 a patente de tenente, ele abandona as forças armadas em 1799 manifestando abertamente — para desgosto de sua família — a intenção de orientar seu plano de vida no sentido de uma formação espiritual e de estudos científicos.

Em Abril de 1799 Kleist é admitido na Universidade Viadrina, em Frankfurt an der Oder, onde estuda física, matemática, latim e cameralismo — predecessora da moderna ciência de administração. Contudo, já no ano seguinte ele interrompe os estudos e começa a trabalhar como estagiário no Ministério das Finanças em Berlim. A razão de tal interrupção brusca depois de apenas três semestres de estudos e que em nada corresponde aos seus planos originais reside em uma exigência imposta pela família de Wilhelmine von Zenge, que o então jovem estudante conhecera em 1799 e de quem tornara-se noivo já no início de 1800.

No início de 1801, Kleist parte com sua irmã Ulrike em uma longa viagem para Paris e em Abril de 1802 se fixa na Suíça, onde trabalha na tragédia A Família Schroffenstein e inicia a escrita da comédia O Jarro Partido. Por volta desta época ele também termina o noivado com Wilhelmine. No outono deste ano, Kleist retorna à Alemanha e conhece Goethe e Schiller em Weimar, permanece algum tempo em Leipzig e Dresden e segue para Paris no outono de 1803, mas logo em seguida, em Dezembro deste mesmo ano, já volta para a Alemanha.

Em 1804 Kleist trabalha por um curto período de tempo no Departamento de Finanças de Berlim, e em maio de 1805 é transferido para Königsberg. Lá, ele termina o Jarro Partido e trabalha na comédia Anfitrião, na tragédia Pentesiléia e nos contos Michael Kohlhaas e O Terremoto no Chile.

Durante uma viagem a caminho de Berlim, em Janeiro de 1807, Kleist é preso por agentes franceses supostamente como espião, sendo enviado à França, onde é mantido prisioneiro por seis meses no Châlons-sur-Marne. Durante este tempo ele presumivelmente escreveu a novela A Marquesa de O… e continuou o trabalho com Pentesiléia.

Depois de Agosto de 1807, quando foi libertado, Kleist segue para Dresden, onde conhece, entre outros, os românticos Caspar David Friedrich e Ludwig Tieck. Em conjunto com Adam Heinrich Müller, ele ainda lança a revista literária Phöbus em Janeiro de 1808. A revista durou pouco mais de um ano, e teve de ser encerrada por razões financeiras. Em Dezembro deste mesmo ano, sob o impacto das recentes conquistas napoleónicas, Kleist completa o drama Die Hermannsschlacht (“A batalha de Armínio”, texto ainda sem tradução para o português), que tem como tema a Batalha da Floresta de Teutoburgo e expressa um forte conteúdo nacionalista.

Em maio de 1809 o escritor segue para Praga, com a intenção de fundar um jornal semanal com o título Germânia, que deveria ser um órgão de divulgação de escritos políticos de caráter patriótico. Contudo, diante da capitulação da Áustria diante das forças de Napoleão, tal projecto se mostrou impraticável. Em Novembro deste ano Kleist retorna a Frankfurt an der Oder e de lá segue para Berlim, onde permanece até sua morte.

Em Abril de 1810 é publicado seu primeiro livro de contos, contendo, entre outras, as narrativas A Marquesa de O…, Michael Kohlhaas e O Terremoto no Chile. Em Outubro deste ano, Kleist dá início a um segundo projecto jornalístico, a Folha da Tarde Berlinense, o qual, no entanto, é suspenso em 1811 devido à censura.

No final de 1811, pouco depois de completar 34 anos, o escritor enfrentava sérias dificuldades financeiras. Profundamente triste e amargurado, Kleist planeja cometer suicídio e encontra companhia em sua amiga Henriette Vogel, então martirizada por um câncer. O escritor leva a cabo a intenção de ambos no dia 21 de Novembro de 1811, nas margens do pequeno Wansee, atirando primeiro em sua companheira e depois em si próprio.

 

 

 

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